Entrevista a S. Ex.ª Sr. João Miguel Vahekeni, Embaixador da República de Angola no Japão, para a revista JAPAN and the WORLD (edição de Janeiro / Fevereiro / Março)

Conversa: S. Ex.ª. Sr. João Miguel Vahekeni, Embaixador da República de Angola no Japão

No dia 11 de Novembro de 2015, em Tóquio, a Embaixada da República de Angola celebrou os 40 anos de Independência da República de Angola. A revista JAPAN and the WORLD cobriu o evento. Sua Excelência, João Miguel Vahekeni, partilhou connosco os seus momentos de maior orgulho enquanto Embaixador no Japão, bem como as suas ambições para os anos vindouros.

JAPAN and the WORLD (JW): V.ª Ex.ª acaba de comemorar os 40 anos da independência de Angola, organizando uma bonita recepção em Tóquio. Quão importante foi, para si, celebrar este dia no Japão?

S. Ex.ª Sr. João Miguel Vahekeni, Embaixador da República de Angola no Japão (Embaixador): Esta ocasião constituiu uma oportunidade para mostrar aos nossos amigos no Japão o trajecto percorrido por Angola nos últimos 40 anos, principalmente durante o período pós-guerra civil, e que a paz é uma conquista irreversível.

O evento também destacou os fortes laços que a Embaixada tem vindo a construir com a sociedade civil, aqui no Japão, conforme demonstrado por diversas actuações apresentadas por estudantes e músicos japoneses durante a recepção. Angola é agora um país maduro e está pronto para trabalhar em conjunto com o Japão.

JW: Em Março de 2015, conquistou um marco histórico, ao levar mais de 100 empresários Japoneses a Angola, a fim de lhes mostrar as mais recentes oportunidades proporcionadas por este país. Qual foi o resultado dessa missão de negócios? Pretende repeti-la em 2016?

Embaixador: Um embaixador é alguém que se encontra ao serviço dos interesses nacionais do seu país. Como tal, “usamos muitos chapéus”, sendo um deles o “chapéu” das relações económicas.

Na sequência do fórum de negócios, temos vindo a notar um aumento de pedidos de vistos de negócios por parte das empresas Japonesas. Um facto notável é que também recebemos pedidos de vistos provenientes de empresas que não tinham Angola nos seus objectivos, ou seja, a primeira visita destas empresas a Angola aconteceu por ocasião do fórum.

A título de follow-up do fórum realizado em Março de 2015, em Luanda, e devido a várias questões apresentadas pelas empresas Japonesas sobre o actual ambiente de negócios em Angola, foi realizado um seminário em Tóquio, em Dezembro de 2015. Este seminário sobre como fazer negócios em Angola foi co-organizado pela Embaixada, Mizuho Bank, Ltd. e o Japan Institute for Overseas Investment (JOI), com o apoio do Japan Bank for International Cooperation (JBIC).

O Ministro da Economia de Angola, S. Ex.ª Abrahão Pio dos Santos Gourgel, que visitou o Japão nesta ocasião, partilhou com os presentes no seminário as perspectivas económicas de Angola, assim como o programa de diversificação da economia do país.

O evento atraiu mais de 100 participantes, representando 60 empresas, o que demonstra ainda mais o interesse das empresas japonesas por Angola criado pela sua participação no do fórum realizado em Março de 2015. Em 2016, a Embaixada vai trabalhar com os seus parceiros no sentido de organizar mais eventos, visando reforçar os laços económicos entre Angola e o Japão.

JW: Angola é agora um país estável e em paz, e foi uma das economias com maior crescimento em todo o mundo entre 2001 e 2010. Actualmente, quais são os maiores desafios para Angola?

Embaixador: O maior desafio que Angola enfrenta consiste em superar o legado de quase 30 anos de guerra civil, incluindo, entre outras questões, a remoção de minas terrestres, melhorar o nível de educação, os indicadores de saúde e de desemprego, e melhorar as infra-estruturas básicas. Igualmente, Angola deve reduzir a dependência da economia do sector petrolífero e impulsionar os sectores agrícola e industrial. De uma maneira geral, Angola deve desenvolver politicas que permitam ultrapassar os obstáculos ao seu desenvolvimento.

Desde o fim da guerra civil, em 2002, Angola tem feito grandes progressos. Por exemplo, em 1998 havia apenas uma universidade em Angola. Hoje, existem cerca de 20, permitindo assim o acesso ao ensino superior a mais Angolanos. Igualmente, de acordo com o Banco Mundial, a expectativa de vida em Angola passou de 45 anos, em 2000, para 52 anos em 2013 e com boas perspectivas no sentido de melhorar ainda mais. Ainda há muito por fazer, mas acredito que Angola está no caminho certo.

JW: Porque acredita que o Japão seria o melhor parceiro de negócios para Angola?

Embaixador: O Japão passou por uma guerra, reconstruiu-se e transformou-se numa nação avançada e numa grande potência económica, após a Segunda Guerra Mundial. Angola passou por uma guerra civil, que destruiu a maior parte das infra-estruturas básicas do país. Agora, com a paz, encontra-se numa fase de reconstrução. É neste ponto que Angola pode beneficiar bastante com a experiência e know-how do Japão.

O Japão é um dos principais parceiros de Angola na Ásia e a minha missão, aqui no Japão, consiste em elevar os laços bilaterais a novos patamares. É neste contexto que, em 2015, organizamos a visita ao Japão de três ministros Angolanos, nomeadamente, o Ministro das Finanças, o Ministro da Assistência e Reinserção Social e o Ministro da Economia.

Este ano Angola e o Japão celebram 40 anos do estabelecimento de relações diplomáticas. Vamos continuar a trabalhar no sentido de construir uma parceria bilateral ganha-ganha, na qual os dois países possam beneficiar das potencialidades de cada um.

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