Discurso de Sua Excelência João Lourenço, Presidente da República de Angola, na cerimónia de cumprimentos de Ano Novo ao Corpo Diplomático. Luanda, 18 de Janeiro de 2019

-Excelentíssimo Senhor Embaixador Najah Abdul Rahman, Decano do Corpo Diplomático;
-Excelentíssimos senhores Embaixadores e Chefes de Missão Diplomática;
-Excelentíssimos senhores Representantes de Organizações Internacionais e demais entidades estrangeiras acreditadas na República de Angola;
-Ilustres Convidados;
-Minhas Senhoras, Meus Senhores,

Constitui para mim uma honra receber hoje no Salão Nobre do Palácio Presidencial os dignos Representantes do Corpo Diplomático, de Organizações Internacionais e demais entidades estrangeiras acreditadas na República de Angola para esta Cerimónia de Cumprimentos de Ano Novo.

Tive a oportunidade de ouvir com muita atenção as palavras do Senhor Embaixador Najah Abdul Rahman, Decano do Corpo Diplomático, a quem agradeço pelos votos de bem-estar e prosperidade dedicados ao Povo angolano, bem como a mim e à minha família.

No ano transacto, tivemos a oportunidade de desenvolver uma diplomacia activa com um pendor económico muito forte, o que possibilitou a captação de vários investimentos e o aumento exponencial do interesse de muitos investidores privados pelo mercado angolano.

Este grande exercício diplomático só foi possível graças ao trabalho conjunto entre as autoridades angolanas, as missões diplomáticas, as organizações internacionais e demais entidades estrangeiras acreditadas no nosso país.

Queremos nesta ocasião agradecer o trabalho desenvolvido e continuar a contar com a colaboração e o empenho de todos, para assim darmos continuidade à dinâmica já conquistada.

Vamos continuar a trabalhar para recuperar a nossa economia e para encontrar os caminhos que nos levem a uma efectiva diversificação económica.

Daremos seguimento às políticas que visam a credibilização das instituições do Estado, mantendo-se a luta contra a corrupção e outros males de que a nossa sociedade enferma.

Hoje já é convicção geral de que a impunidade em relação a práticas lesivas ao erário público tem os dias contados, o que tem vindo a contribuir para uma mudança da imagem de Angola ao nível interno e internacional.

Uma demonstração clara da confiança assim criada junto das instituições internacionais foi o acordo entre o Governo da República de Angola e o Fundo Monetário Internacional.

O combate contra a corrupção e o consequente processo de credibilização do Estado é, naturalmente, um processo contínuo, e gostaríamos que os senhores Embaixadores e Chefes de Missão Diplomática, Representantes de Organizações Internacionais e demais entidades, nos ajudassem a divulgar junto da comunidade internacional a nova imagem de Angola, mais aberta e mais receptiva ao investimento privado nas suas múltiplas vertentes.

Senhores Embaixadores e Chefes d Missão Diplomática, Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Durante o ano de 2018, foram registadas com bastante satisfação a realização de eleições em muitos países do continente africano.
Esta constatação reforça a ideia de que as populações do nosso continente estão cada vez mais preparadas para conviverem com a diversidade e começam a encarar com normalidade o convívio em democracia.

Ao terminar o ano, assistimos à realização de eleições na República Democrática do Congo, cujo povo, apesar de constrangimentos de vária ordem, com civismo acorreu em massa às assembleias de voto para expressar assim a sua firme vontade de participar na escolha dos dirigentes, que vão liderar os destinos do país nos próximos anos, de acordo com a Constituição da República.

Num momento em que o mundo olha com expectativa para a situação política e de segurança deste importante país da SADC e da região dos Grandes Lagos, a União Africana acaba de se reunir na sua sede em Addis Abeba, tendo, entre outras, tomado a decisão de enviar a Kinshasa uma delegação de alto nível nos próximos dias.

Saudamos o povo malgaxe pela realização das eleições no Madagáscar, que culminaram com a eleição do Presidente Andry Rajoelina, a quem felicitamos pela vitória e desejamos votos de sucesso na governação deste importante país do Índico, membro da SADC.

Gostarimos, igualmente, não obstante não ser um país africano como os dois últimos, felicitar o povo brasileiro pelo facto de ter ido às urnas no fim do ano e eleito o Presidente Jair Bolsonaro para, a partir dos primeiros dias deste mês de Janeiro, conduzir os destinos deste país irmão, Brasil com quem pretendemos aprofundar os laços de amizade e de cooperação que unem Angola e Brasil.

Neste ano de 2019, está igualmente prevista a realização de eleições um pouco por todo o continente africano.

A nossa mensagem vai no sentido de os nossos países continuarem a realizar eleições credíveis livres e justas, pelo reforço da democracia no nosso continente, com sociedades verdadeiramente plurais cada vez mais alinhadas com os paradigmas de um mundo mais moderno e globalizado.

Senhores Embaixadores e Chefes de Missão Diplomática, Minhas Senhoras, Meus Senhores,

Acreditamos que, enquanto actores das Relações Internacionais, devemos continuar a defender o multilateralismo como o mecanismo estabilizador de todas as nações, potencializando-se cada vez mais uma cooperação justa e mutuamente vantajosa.

Gostaríamos de realçar o papel das grandes potências, que possuem grandes responsabilidades na manutenção e salvaguarda da paz e da segurança mundial, pois eventuais conflitos existentes entre elas podem ter consequências devastadoras e até mesmo catastróficas para toda a Humanidade, se não forem geridas com responsabilidade.

Não podemos deixar de insistir na necessidade de se dar uma especial atenção à questão do aquecimento global e das alterações climáticas que urge a tomada de medidas concretas para a enfrentar, pois os sucessivos alertas feitos pelos cientistas apontam para um risco iminente de colapso ambiental do nosso planeta.

Acompanhamos também com muita atenção a gestão de dossiers sensíveis relacionados com os tratados internacionais de não proliferação de armas nucleares.

A nossa visão vai sempre no sentido de se privilegiar o diálogo e a diplomacia em detrimento de posições musculadas para um assunto tão sensível e perigoso, que possam ser consideradas como irreversíveis.

Apoiamos as reformas na Organização das Nações Unidas (ONU) que visam, acima de tudo, tornar a Organização mais equilibrada e mais justa no que diz respeito à representação de todos os continentes como membros permanentes do Conselho de Segurança, o que reflectirá melhor a realidade geo-política e da economia globalizada do presente século XXI.

É neste sentido que apelamos a todos os países membros para que continuem a apoiar a ONU e as suas organizações especializadas, como a UNESCO, o ACNUR, O UNICEF e outras, que têm desenvolvido um trabalho muito importante.

É premente a necessidade de continuarmos a valorizar a Organização Mundial do Comércio, enquanto entidade reguladora do comércio mundial.

Auguramos para breve um desfecho positivo do braço-de-ferro que opõe os EUA à China sobre as tarifas de importação de produtos comerciais de ambos os países, o que teve já como consequência imediata o arrefecimento da economia mundial, com as principais bolsas de valores em baixa, de uma forma geral.

Senhores Embaixadores e Chefes de Missão Diplomática, Minhas Senhoras, Meus Senhores,

Lamentavelmente, ainda assistimos a vários conflitos um pouco por todo o mundo, nomeadamente na Síria, no Iémen e em outras regiões. E o já muito velho, se permitem a expressão, o conflito Israel e palestiniano.

Devemos continuar a trabalhar para encontrar soluções pacíficas que nos levem à resolução dos conflitos referidos e de outros que ainda persistem.

Uma grande preocupação no contexto dos conflitos em África prende-se com o que se desenrola na República Centro Africana (RCA), onde as forças rebeldes têm registado avanços preocupantes no terreno militar.

Este facto preocupa-nos bastante, porque o Governo da RCA está condicionado e limitado na sua acção de defesa do território nacional, segurança e protecção do seu país pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas que o impede de equipar o seu Exército com os meios necessários para fazer face às investidas dos grupos rebeldes que actuam no país.

Temos apelado repetidas vezes para que se reveja esta situação, em nosso entender injusta e perigosa.

Não podemos deixar de saudar os esforços que estão a ser feitos pelos Governos da Coreia do Norte e dos Estados Unidos da América para a resolução do conflito há muito existente na península coreana.

A República de Angola sempre defendeu em todos os fóruns internacionais a necessidade de se garantir a paz e a segurança em todo o mundo, que nos permitam deixar um legado positivo para as futuras gerações.

Mais uma vez, agradeço as palavras do Senhor Embaixador Najah Abdul Rahman, Decano do Corpo Diplomático, e desejo a todos um Feliz Ano de 2019!

Muito obrigado pela vossa atenção.

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