ANGOLA CONTINUARÁ A PRIVILEGIAR A DIPLOMACIA ECONÓMICA

MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES – MANUEL AUGUSTO, DURANTE A CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FOTO: DOMINGOS CARDOSO

23 Dezembro de 2019
Luanda – Angola vai continuar, em 2020, a privilegiar a diplomacia económica para atrair investimentos, visando o desenvolvimento socioeconómico, declarou, nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto.

Numa conferência de imprensa para analisar o desempenho da diplomacia em 2019, o ministro frisou que as prioridades estão em consonância com o programa de desenvolvimento 2018/2022, sendo, por isso, essencial definir novas parcerias e consolidar as existentes.

A estratégia, segundo o governante, tem em vista a atracção de investimentos para a contínua construção de infra-estruturas nos sectores energético, rodoviário, portuário, das telecomunicações, entre outros, para servir de base à política de diversificação da economia.

Nesta perspectiva, considerou fundamental a consolidação das relações bilaterais com países amigos e das parcerias estratégicas existentes, bem como a melhoria do ambiente de negócios e da credibilidade do país, eliminando as barreiras que afastem potenciais investidores.

Atenção especial será igualmente prestada à diáspora angolana, tendo o ministro anunciado a realização de um encontro de cidadãos que residem no exterior, bem como de quadros que trabalham em agências internacionais, como as da ONU.

Disse estar prevista, a partir dos primeiros meses do próximo ano, a passagem de documentos de identificação a angolanos no exterior, sublinhando que a atenção aos cidadãos nacionais deve ser o objecto das missões de Angola no estrangeiro.

Durante a entrevista, o diplomata admitiu a possibilidade de a candidatura de Angola a membro da Comunidade das Nações (Commonwealth) vir a ser confirmada na Cimeira de Kigali (Rwanda), prevista para o segundo semestre de 2020.

Quanto à entrada na Organização Internacional da Francofonia, o ministro prevê que venha a ocorrer apenas em 2021, podendo antes ganhar o estatuto de observador.

Noutra parte da sua alocução, informou que o país vai assumir, em Agosto, a presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), por dois anos, tendo como meta, entre outras, resolver o problema da mobilidade, para corresponder às expectativas dos cidadãos, bem como dedicar maior atenção ao reforço da cooperação com Timor Leste.

Ao efectuar o balanço das acções realizadas em 2019, considerou ter sido “um bom ano”, sendo “inquestionável a transmissão ao mundo da imagem da nova Angola, pela posição geoestratégica, o potencial económico e a contínua contribuição à paz e à resolução pacífica de conflitos no continente”.

Sublinhou que Angola tem ocupado o seu espaço na arena internacional através da participação em eventos mundiais, colocação de quadros no sistema internacional, como agências especializadas da ONU, eliminando a tendência negativa da “cadeira vazia”.

No plano continental, destacou que tem sido autor activo na União Africana (UA), partilhando experiências com outros países na busca da paz e da concórdia, como foi o caso da aproximação do Uganda e Rwanda, para solução pacífica do diferendo que oponha os dois países, com vantagens recíprocas.

Manuel Augusto realçou o facto de um angolano ser representante da UA africana para a República Centro Africana, de o país ser membro activo do Conselho dos Direitos Humanos e ter conseguido eleger o compatriota Georges Chikoti para secretário-geral da organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (ACP), para um mandato de cinco anos.

Fez igualmente referência à participação angolana em fóruns multilaterais e visitas ao estrangeiro ao mais alto nível, assim como o facto de ter acolhido em seu solo várias individualidades.

O ministro considerou essencial a reestruturação do sector diplomático, potencializando-o com recursos humanos, mediante concursos internos e públicos, ao mesmo tempo que garantiu a contínua melhoria das condições de trabalho e sociais dos quadros e uma reforma digna aos que cessam a actividade por limite de idade.
Fonte: ANGOP

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